ISBN: 978-65-5113-540-8
IDIOMA: Português
NÚMERO DE PÁGINAS: 249
NÚMERO DA EDIÇÃO: 1
DATA DE PUBLICAÇÃO: 02/04/2026
O uso do crédito, que se tornou tão facilmente disseminado em diversos meandros sociais a partir de um passado recente, tem apontado para o surgimento de vários dilemas, dentre eles o progressivo endividamento da população, operando-se um fluxo cada vez maior de dependência de grandes instituições financeiras. Essa circunstância demanda a também crescente reflexão sobre os instrumentos para se efetivar a dignidade das pessoas no mercado de consumo. Em outras palavras, esse fenômeno tem contribuído por levar uma legião de pessoas à ruína pessoal, num mecanismo político e econômico de morte civil, já que o endividamento a partir do uso temerário do crédito contribui para a exclusão social da própria pessoa. [...] Vê-se, então, que o crédito se tornou um fenômeno multidimensional, cujo acesso, além de ser garantido como direito fundamental do próprio consumidor, também deve ser tutelado e regulado pelo Estado, em detrimento de interesses de grandes conglomerados econômicos e de instituições financeiras. Por isso, esta obra se fundamenta no paradigma de que a tutela efetiva do crédito e da transparência apenas se mostra factível (equilibrando interesses divergentes de instituições financeiras e consumidores) quando sua regulação abandonar o viés individualista e particular da questão, mediante a compreensão dessa mesma multidimensionalidade. Tal pressuposto demanda iniciativas de cunho transindividual — ancoradas, portanto, em solidariedade — muito mais voltadas ao momento anterior à contratação do crédito, e não como reparação ao endividamento e à inadimplência já efetivados junto ao orçamento do devedor, com o intuito de mitigar seus efeitos.
Sobre o Autor
Apresentação
Prefácio
Introdução
CAPÍTULO 1
O CRÉDITO COMO INSTRUMENTO DE CONTROLE SOCIOECONÔMICO
1.1 Biopoder e biopolítica em Michel Foucault
1.2 Necropolítica e os aspectos atuais do neoliberalismo para Achille Mbembe
1.3 A pessoa natural na era do capitalismo financeiro: crédito e financeirização
CAPÍTULO 2
MECANISMOS DE TUTELA DO CRÉDITO DE CONSUMO NA EXPERIÊNCIA BRASILEIRA
2.1 Arquitetura jurídica de proteção ao consumidor no mercado de crédito
2.2 A busca pelo mínimo existencial como garantia de dignidade
2.3 Caminhos da jurisprudência sobre revisão de contratos de crédito
2.4 Paradoxos da expansão do crédito consignado aos trabalhadores
2.5 O Desenrola Brasil como política pública voltada à saúde financeira da pessoa endividada
CAPÍTULO 3
PROPOSTAS DE RESTABELECIMENTO DA DIGNIDADE DA PESSOA NO MERCADO DE CRÉDITO À LUZ DA SOLIDARIEDADE
3.1 A solidariedade na contramão da necropolítica
3.2 Tutela transindividual do consumidor endividado
3.3 Aprimoramentos voltados à tutela administrativa do superendividamento
3.4 Sobre a limitação de juros e demais encargos
3.5 Expansão das garantias aos endividados e outros aspectos contratuais
Conclusões
Posfácio
Referências
Apêndices